quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Para meu neto

Como você, era menino,
Primeiro conheci o cavalo,
Depois conheci o caminho,
O cavalo me mostrou o caminho,
E depois, os potros soltos que se leva dentro do peito,
Não se sabe os caminhos que elegem,
As vezes se equivocam,
O caminho, a vida…
Não se concebe a vida sem algo que a justifique,
Se quisermos vive-la de maneira,
Pretenciosamente vou dizer, elevada,
Dá trabalho, muito trabalho,
É preciso ter esperança,
Mas, há que se acrescentar sal à esperança,
E o sal é o suor, o empenho,
A fé, a perseverança.
Por isso, quero uma tarde,
Ir para o morro, calado,
Onde se escute só
As patas do meu cavalo,
E encontrar aquele menino,
Explodindo de potros no peito,
E aquele menino, é você.

TEU VÔ.

Obs.: Esses versos foram escritos pelo meu avô em 09/04/2002, e como forma de retribuir a homenagem, estou publicando-os no blog.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A flor

Sob a luz dourada que evidencia a poeira,
Fruto de séculos de livros não lidos,
De instantes de prazeres reprimidos,
Em prol do Bem Maior, da eternidade,
Encontrei uma flor já enrugada.

Minhas mãos trêmulas, também enrugadas,
Acariciavam aquele resquício de beleza,
Pelas larvas do tempo já maculada.
Fria brancura dos encantos partidos,
Doce aspereza das promessas eternas.

Que tesouros, que alegrias, que fortuna,
Aquela forma desgastada me trouxe!
O seco lodo que sujava a alma,
Agora aduba os meus canteiros.
O sol que me queimava a face,
Hoje renasce no meu jardim.
E de hoje até o fim dos tempos,
Nunca mais estarei sozinho!