terça-feira, 10 de agosto de 2010

A flor

Sob a luz dourada que evidencia a poeira,
Fruto de séculos de livros não lidos,
De instantes de prazeres reprimidos,
Em prol do Bem Maior, da eternidade,
Encontrei uma flor já enrugada.

Minhas mãos trêmulas, também enrugadas,
Acariciavam aquele resquício de beleza,
Pelas larvas do tempo já maculada.
Fria brancura dos encantos partidos,
Doce aspereza das promessas eternas.

Que tesouros, que alegrias, que fortuna,
Aquela forma desgastada me trouxe!
O seco lodo que sujava a alma,
Agora aduba os meus canteiros.
O sol que me queimava a face,
Hoje renasce no meu jardim.
E de hoje até o fim dos tempos,
Nunca mais estarei sozinho!

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