mulher moderna,
onde foi que deixaste
(ou será que esqueceste?)
o encanto que levavas
no teu olhar,
no teu andar,
no teu amar?
aquele segredo profundo,
a beleza intrínseca?
estás tão rude agora,
tão medíocre…
onde estão as Julietas
e Dulcineias que cada uma de vós,
por mais rude que seja,
leva dentro de si?
procuro por toda parte,
e não as acho.
escuta, mulher moderna:
esconde
com teus crèmes
e truques,
a profundeza de tuas rugas,
o teu vazio interior.
Um menino que queria ser poeta
"Deixo destrancado, solto ao vento/Os portões da minha alma"
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Atividade poética
É essa pedra de sentimento, de ilusão,
que me sufoca o peito e abafa o grito,
que me engasga e se dissolve,
que rola abismo abaixo
e se transforma em confusão.
Mas de vez em quando,
se acerta o caminho,
a pedra vira poesia:
precária síntese do que se sentia.
que me sufoca o peito e abafa o grito,
que me engasga e se dissolve,
que rola abismo abaixo
e se transforma em confusão.
Mas de vez em quando,
se acerta o caminho,
a pedra vira poesia:
precária síntese do que se sentia.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Para meu neto
Como você, era menino,
Primeiro conheci o cavalo,
Depois conheci o caminho,
O cavalo me mostrou o caminho,
E depois, os potros soltos que se leva dentro do peito,
Não se sabe os caminhos que elegem,
As vezes se equivocam,
O caminho, a vida…
Não se concebe a vida sem algo que a justifique,
Se quisermos vive-la de maneira,
Pretenciosamente vou dizer, elevada,
Dá trabalho, muito trabalho,
É preciso ter esperança,
Mas, há que se acrescentar sal à esperança,
E o sal é o suor, o empenho,
A fé, a perseverança.
Por isso, quero uma tarde,
Ir para o morro, calado,
Onde se escute só
As patas do meu cavalo,
E encontrar aquele menino,
Explodindo de potros no peito,
E aquele menino, é você.
TEU VÔ.
Obs.: Esses versos foram escritos pelo meu avô em 09/04/2002, e como forma de retribuir a homenagem, estou publicando-os no blog.
Primeiro conheci o cavalo,
Depois conheci o caminho,
O cavalo me mostrou o caminho,
E depois, os potros soltos que se leva dentro do peito,
Não se sabe os caminhos que elegem,
As vezes se equivocam,
O caminho, a vida…
Não se concebe a vida sem algo que a justifique,
Se quisermos vive-la de maneira,
Pretenciosamente vou dizer, elevada,
Dá trabalho, muito trabalho,
É preciso ter esperança,
Mas, há que se acrescentar sal à esperança,
E o sal é o suor, o empenho,
A fé, a perseverança.
Por isso, quero uma tarde,
Ir para o morro, calado,
Onde se escute só
As patas do meu cavalo,
E encontrar aquele menino,
Explodindo de potros no peito,
E aquele menino, é você.
TEU VÔ.
Obs.: Esses versos foram escritos pelo meu avô em 09/04/2002, e como forma de retribuir a homenagem, estou publicando-os no blog.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A flor
Sob a luz dourada que evidencia a poeira,
Fruto de séculos de livros não lidos,
De instantes de prazeres reprimidos,
Em prol do Bem Maior, da eternidade,
Encontrei uma flor já enrugada.
Minhas mãos trêmulas, também enrugadas,
Acariciavam aquele resquício de beleza,
Pelas larvas do tempo já maculada.
Fria brancura dos encantos partidos,
Doce aspereza das promessas eternas.
Que tesouros, que alegrias, que fortuna,
Aquela forma desgastada me trouxe!
O seco lodo que sujava a alma,
Agora aduba os meus canteiros.
O sol que me queimava a face,
Hoje renasce no meu jardim.
E de hoje até o fim dos tempos,
Nunca mais estarei sozinho!
Fruto de séculos de livros não lidos,
De instantes de prazeres reprimidos,
Em prol do Bem Maior, da eternidade,
Encontrei uma flor já enrugada.
Minhas mãos trêmulas, também enrugadas,
Acariciavam aquele resquício de beleza,
Pelas larvas do tempo já maculada.
Fria brancura dos encantos partidos,
Doce aspereza das promessas eternas.
Que tesouros, que alegrias, que fortuna,
Aquela forma desgastada me trouxe!
O seco lodo que sujava a alma,
Agora aduba os meus canteiros.
O sol que me queimava a face,
Hoje renasce no meu jardim.
E de hoje até o fim dos tempos,
Nunca mais estarei sozinho!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A encruzilhada
“Two roads diverged in a wood, and I –
I took the one less travelled by,
and that has made all the difference.”
Robert Frost
Duas estradas se divergiam em uma floresta,
E eu – bem, - eu procurei uma sombra e armei minha rede.
Acendi um cigarro e esperei…
Esperei que o tempo e o vento decidissem meu caminho.
E assim vi desfilar outonos e primaveras,
Embalado pelo doce balanço da indiferença,
Encantado pelo canto pornográfico da juventude.
Acontece que o tempo passou e só trouxe mais complicações,
O vento veio e tudo o que fez foi comprometer minha visão.
Mas eis que chegam noites em que o frio é insuportável,
E a decisão não pode mais ser protelada.
Levanto-me e com olhar distante encaro a encruzilhada.
No horizonte, o sol nascente derrama sua luz pelas estradas.
Um pássaro se assusta e voa para longe.
Dai-me forças, Senhor, para escolher o caminho menos tomado!
I took the one less travelled by,
and that has made all the difference.”
Robert Frost
Duas estradas se divergiam em uma floresta,
E eu – bem, - eu procurei uma sombra e armei minha rede.
Acendi um cigarro e esperei…
Esperei que o tempo e o vento decidissem meu caminho.
E assim vi desfilar outonos e primaveras,
Embalado pelo doce balanço da indiferença,
Encantado pelo canto pornográfico da juventude.
Acontece que o tempo passou e só trouxe mais complicações,
O vento veio e tudo o que fez foi comprometer minha visão.
Mas eis que chegam noites em que o frio é insuportável,
E a decisão não pode mais ser protelada.
Levanto-me e com olhar distante encaro a encruzilhada.
No horizonte, o sol nascente derrama sua luz pelas estradas.
Um pássaro se assusta e voa para longe.
Dai-me forças, Senhor, para escolher o caminho menos tomado!
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Triste sinfonia
Tua gota de suor, que outrora salgava tua vida,
Agora escorre em vão pela face enrugada.
Os olhos se fecham lentamente
Que triste sinfonia essa, de um mundo
Sem amor
Sem esperança
Sem sentido.
Agora escorre em vão pela face enrugada.
Os olhos se fecham lentamente
Que triste sinfonia essa, de um mundo
Sem amor
Sem esperança
Sem sentido.
Desolação
Um patético sentimento de desolação
Abateu-se sobre o mundo nesses últimos tempos.
Invadiu as casas, as praças e os colégios, mas sobretudo, invadiu as almas.
Fincou suas poderosas garras nos jantares em família, nas rodas de amigos, e nas carteiras gastas, mas sobretudo, nos inquietos corações.
A desesperança mergulhou a cidade num cinza profundo,
Vindo não só dos carros e fábricas, mas sobretudo, das pessoas tristes e cabisbaixas.
Os ônibus, que outrora eram movidos à esperança, agora param.
Os únicos que seguem caminho são os movidos à combustível,
Mas esse levam homens e mulheres que não sabem para onde vão.
Os amores que eram tão cheios de alegria, agora se esvaziam.
Tornam-se apenas mais um dos incontáveis procedimentos a serem cumpridos por jovens de uma certa idade.
A incessante monotonia do cotidiano toma conta das vidas.
E as coisas? As coisas, consideradas sem ênfase, são tristes, como avisou o poeta.
Mas que fazer? Para onde ir? Onde me esconder?
Fugir já não é mais possível, as portas estão fechadas.
Fechar os olhos se faz inútil, o zumbido da apatia é audível nos confins da terra.
Amar? De que adianta amar se os corações estão congelados.
A razão leva a concluir que chegamos ao precipício, que estamos em frente à um impasse sem solução.
Porém meu coração, como derretesse uma fresta de gelo, se recusa a acreditar.
Ele me diz que o cinza da cidade ainda pode ser colorido,
Que os ônibus parados podem recuperar o movimento, e se dirigir às mais altas montanhas.
Me diz que o zumbido da apatia pode ser calado e o amor recuperado.
Como? Deixemos aos políticos e economistas a solução do impasse.
Abateu-se sobre o mundo nesses últimos tempos.
Invadiu as casas, as praças e os colégios, mas sobretudo, invadiu as almas.
Fincou suas poderosas garras nos jantares em família, nas rodas de amigos, e nas carteiras gastas, mas sobretudo, nos inquietos corações.
A desesperança mergulhou a cidade num cinza profundo,
Vindo não só dos carros e fábricas, mas sobretudo, das pessoas tristes e cabisbaixas.
Os ônibus, que outrora eram movidos à esperança, agora param.
Os únicos que seguem caminho são os movidos à combustível,
Mas esse levam homens e mulheres que não sabem para onde vão.
Os amores que eram tão cheios de alegria, agora se esvaziam.
Tornam-se apenas mais um dos incontáveis procedimentos a serem cumpridos por jovens de uma certa idade.
A incessante monotonia do cotidiano toma conta das vidas.
E as coisas? As coisas, consideradas sem ênfase, são tristes, como avisou o poeta.
Mas que fazer? Para onde ir? Onde me esconder?
Fugir já não é mais possível, as portas estão fechadas.
Fechar os olhos se faz inútil, o zumbido da apatia é audível nos confins da terra.
Amar? De que adianta amar se os corações estão congelados.
A razão leva a concluir que chegamos ao precipício, que estamos em frente à um impasse sem solução.
Porém meu coração, como derretesse uma fresta de gelo, se recusa a acreditar.
Ele me diz que o cinza da cidade ainda pode ser colorido,
Que os ônibus parados podem recuperar o movimento, e se dirigir às mais altas montanhas.
Me diz que o zumbido da apatia pode ser calado e o amor recuperado.
Como? Deixemos aos políticos e economistas a solução do impasse.
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