Um patético sentimento de desolação
Abateu-se sobre o mundo nesses últimos tempos.
Invadiu as casas, as praças e os colégios, mas sobretudo, invadiu as almas.
Fincou suas poderosas garras nos jantares em família, nas rodas de amigos, e nas carteiras gastas, mas sobretudo, nos inquietos corações.
A desesperança mergulhou a cidade num cinza profundo,
Vindo não só dos carros e fábricas, mas sobretudo, das pessoas tristes e cabisbaixas.
Os ônibus, que outrora eram movidos à esperança, agora param.
Os únicos que seguem caminho são os movidos à combustível,
Mas esse levam homens e mulheres que não sabem para onde vão.
Os amores que eram tão cheios de alegria, agora se esvaziam.
Tornam-se apenas mais um dos incontáveis procedimentos a serem cumpridos por jovens de uma certa idade.
A incessante monotonia do cotidiano toma conta das vidas.
E as coisas? As coisas, consideradas sem ênfase, são tristes, como avisou o poeta.
Mas que fazer? Para onde ir? Onde me esconder?
Fugir já não é mais possível, as portas estão fechadas.
Fechar os olhos se faz inútil, o zumbido da apatia é audível nos confins da terra.
Amar? De que adianta amar se os corações estão congelados.
A razão leva a concluir que chegamos ao precipício, que estamos em frente à um impasse sem solução.
Porém meu coração, como derretesse uma fresta de gelo, se recusa a acreditar.
Ele me diz que o cinza da cidade ainda pode ser colorido,
Que os ônibus parados podem recuperar o movimento, e se dirigir às mais altas montanhas.
Me diz que o zumbido da apatia pode ser calado e o amor recuperado.
Como? Deixemos aos políticos e economistas a solução do impasse.
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