quinta-feira, 15 de julho de 2010

O pedido dos moribundos

Quando eu morrer, meu amigo,
Me enterre junto aos sonhadores,
Ao lado dos grandes poetas,
Para que seus corpos putrefeitos
Exalem o mesmo perfume de poesia,
Que tanto alegrou minha vida.

Quando eu me for, meu caro,
Me enterre no alto do Himalaia,
Para que sinta o silencioso frio.
Sofrendo, para me lembrar da vida.
Solitário, para me lembrar da morte.

Quando ela vier, meu velho,
Quem sabe agora ou daqui muito,
Não quero que me cubram com flores,
Nem com lágrimas desperdiçadas,
Palavras em vão, ditas ao acaso,
Não chorem por mim, por favor.

Quando eu morrer, (ai de mim, meu Deus!)
Não me enterre em lugar algum,
Ou no máximo em vala comum.
Quero sentir o sabor de ser rejeitado,
Para deixar um resquício de vida,
Nesse corpo e alma retirantes.

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