Estou farto da mediocridade dos bons,
Farto da tibieza que lhes consome a alma
E da hipocrisia com que arranjam desculpas.
Esse silêncio aqui é de matar,
Queria ter asas para poder voar,
Para longe da multidão.
Só assim poderia me livrar,
Da chama que consome os corações,
Que um a um, se calam, não mais são.
Ai de nós, e de nossas tristes cantigas,
Que vendo o que acontece lá fora,
Se escondem no conforto da indiferença.
Nesses dias eu queria ser uma andorinha,
Para lá das nuvens mais altas,
Observar os homens, criatura mais deplorável!
Ápice da evolução, início da decadência,
Tinham tudo para governar o mundo,
Mas deixaram o mundo os governar.
Não quero perder as esperanças no homem,
Porém não vejo mais saída.
É, eu queria mesmo ser uma andorinha.
(Talvez seja por mediocridade.)
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