quinta-feira, 15 de julho de 2010

Auto-retrato

Sou daqueles solitários, poetas por natureza,
Que unem a frieza de um holandês sofrido, com a efervescência emocional de um calabrês.
Ao norte o sermão da montanha, ao sul o que meus pais me deram, a leste o bom senso e a oeste minha vergonha, me limitam, mas não me empobrecem.
De folia em folia, de obrigação em obrigação, vou viajando nesse trem. Estou preso nessa embarcação.
Mas foi por homens que nem eu, sedentos por liberdade, que Deus criou a imaginação. Aquela solitária, reflexão profunda, deleite espiritual.
E é nela que me apoio, me faço o ser humano que sou, me encontro.
Admiro os que nadam contra maré, os velhos que ainda tem paixão por viver, as crianças que em sua pureza me encantam.
Não sou mais um desse manicômio terrestre, não sou mais uma marionete na mão dos inimigos.
Não sinto nenhum orgulho dos jovens revolucionários, dos sindicalistas e dos que lutam por um mundo igual. Para mim, eles são tudo aquilo que eu não queria ser.
Me apaixono fácil, sou uma poesia humana, pousando em corações, o problema é que eu não escolho em qual pousar, mas é assim que tem que ser.
Sou meu melhor amigo, não me entenda mal, isso é porque não me divido com ninguém, me faço companhia em todos os momentos. Me sinto bem, seguro comigo mesmo.
Não tenho lema de vida, não tenho planos muito bem estabelecidos, só espero viver intensamente... e corretamente.
Para que quando eu chegue no meu leito de morte, eu não derrame uma lágrima sequer. Que eu saia dessa vida com a alegria de um jovem apaixonado.
Não pretendo que as gerações futuras se lembrem de mim. Me contento com o amor simples, desprovido de sentimentalidades descabidas, que terei dos meus filhos e netos, se um dos meus poucos planos derem certo.
Não espero que o mundo se curve diante dos meu pés. Só quero ter uma boa mulher, bons filhos, meu violão de um lado e minha poesia do outro.
Bom, por hoje é só. Talvez daqui a alguns anos eu leia isso e me sinta embaraçado, mas por agora é o que sinto. Até uma próxima.

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