“Two roads diverged in a wood, and I –
I took the one less travelled by,
and that has made all the difference.”
Robert Frost
Duas estradas se divergiam em uma floresta,
E eu – bem, - eu procurei uma sombra e armei minha rede.
Acendi um cigarro e esperei…
Esperei que o tempo e o vento decidissem meu caminho.
E assim vi desfilar outonos e primaveras,
Embalado pelo doce balanço da indiferença,
Encantado pelo canto pornográfico da juventude.
Acontece que o tempo passou e só trouxe mais complicações,
O vento veio e tudo o que fez foi comprometer minha visão.
Mas eis que chegam noites em que o frio é insuportável,
E a decisão não pode mais ser protelada.
Levanto-me e com olhar distante encaro a encruzilhada.
No horizonte, o sol nascente derrama sua luz pelas estradas.
Um pássaro se assusta e voa para longe.
Dai-me forças, Senhor, para escolher o caminho menos tomado!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Triste sinfonia
Tua gota de suor, que outrora salgava tua vida,
Agora escorre em vão pela face enrugada.
Os olhos se fecham lentamente
Que triste sinfonia essa, de um mundo
Sem amor
Sem esperança
Sem sentido.
Agora escorre em vão pela face enrugada.
Os olhos se fecham lentamente
Que triste sinfonia essa, de um mundo
Sem amor
Sem esperança
Sem sentido.
Desolação
Um patético sentimento de desolação
Abateu-se sobre o mundo nesses últimos tempos.
Invadiu as casas, as praças e os colégios, mas sobretudo, invadiu as almas.
Fincou suas poderosas garras nos jantares em família, nas rodas de amigos, e nas carteiras gastas, mas sobretudo, nos inquietos corações.
A desesperança mergulhou a cidade num cinza profundo,
Vindo não só dos carros e fábricas, mas sobretudo, das pessoas tristes e cabisbaixas.
Os ônibus, que outrora eram movidos à esperança, agora param.
Os únicos que seguem caminho são os movidos à combustível,
Mas esse levam homens e mulheres que não sabem para onde vão.
Os amores que eram tão cheios de alegria, agora se esvaziam.
Tornam-se apenas mais um dos incontáveis procedimentos a serem cumpridos por jovens de uma certa idade.
A incessante monotonia do cotidiano toma conta das vidas.
E as coisas? As coisas, consideradas sem ênfase, são tristes, como avisou o poeta.
Mas que fazer? Para onde ir? Onde me esconder?
Fugir já não é mais possível, as portas estão fechadas.
Fechar os olhos se faz inútil, o zumbido da apatia é audível nos confins da terra.
Amar? De que adianta amar se os corações estão congelados.
A razão leva a concluir que chegamos ao precipício, que estamos em frente à um impasse sem solução.
Porém meu coração, como derretesse uma fresta de gelo, se recusa a acreditar.
Ele me diz que o cinza da cidade ainda pode ser colorido,
Que os ônibus parados podem recuperar o movimento, e se dirigir às mais altas montanhas.
Me diz que o zumbido da apatia pode ser calado e o amor recuperado.
Como? Deixemos aos políticos e economistas a solução do impasse.
Abateu-se sobre o mundo nesses últimos tempos.
Invadiu as casas, as praças e os colégios, mas sobretudo, invadiu as almas.
Fincou suas poderosas garras nos jantares em família, nas rodas de amigos, e nas carteiras gastas, mas sobretudo, nos inquietos corações.
A desesperança mergulhou a cidade num cinza profundo,
Vindo não só dos carros e fábricas, mas sobretudo, das pessoas tristes e cabisbaixas.
Os ônibus, que outrora eram movidos à esperança, agora param.
Os únicos que seguem caminho são os movidos à combustível,
Mas esse levam homens e mulheres que não sabem para onde vão.
Os amores que eram tão cheios de alegria, agora se esvaziam.
Tornam-se apenas mais um dos incontáveis procedimentos a serem cumpridos por jovens de uma certa idade.
A incessante monotonia do cotidiano toma conta das vidas.
E as coisas? As coisas, consideradas sem ênfase, são tristes, como avisou o poeta.
Mas que fazer? Para onde ir? Onde me esconder?
Fugir já não é mais possível, as portas estão fechadas.
Fechar os olhos se faz inútil, o zumbido da apatia é audível nos confins da terra.
Amar? De que adianta amar se os corações estão congelados.
A razão leva a concluir que chegamos ao precipício, que estamos em frente à um impasse sem solução.
Porém meu coração, como derretesse uma fresta de gelo, se recusa a acreditar.
Ele me diz que o cinza da cidade ainda pode ser colorido,
Que os ônibus parados podem recuperar o movimento, e se dirigir às mais altas montanhas.
Me diz que o zumbido da apatia pode ser calado e o amor recuperado.
Como? Deixemos aos políticos e economistas a solução do impasse.
Carpe Diem
Aproveite cada instante da sua vida como se fosse o derradeiro, cada arrepio deleitoso de um acorde certo, cada momento em que seu coração dispara, a garganta trava e o tempo para, cada frio na barriga. Não deixe de olhar o horizonte enquanto ele ainda é incerto, sonhe o mais alto que puder, porque se não chegares aonde sonhou pelo menos terás andado muito mais do que os sem paixão. Esqueça o passado, viva o presente e almeje o futuro. Se os semeadores do ódio te cortam as asas, constrói um avião e voa mais alto do que todos eles. Aprenda a perdoar, a amar, a conversar, a rir, a fazer amizades. Aproveita cada momento de perdão, amor, conversa e riso com os amigos. Mas com os amigos de verdade, aqueles que você sabe que nunca te abandonarão, aqueles com os quais o silêncio não é mais incômodo. Não se preocupe em ganhar dinheiro, fama e admiração das pessoas, esteja em paz consigo mesmo e é o que basta. Não se iluda com uma vida sem sofrimento e dor, por qual seria a graça dos momentos de felicidade se não houvesse momentos de tristeza? Cante, dance, toque, sinta o vento que traz novas oportunidades. Viva. Viva no mundo, mas sem se apegar as coisas mundanas, porque não é nelas que está a verdadeira felicidade.
O pedido dos moribundos
Quando eu morrer, meu amigo,
Me enterre junto aos sonhadores,
Ao lado dos grandes poetas,
Para que seus corpos putrefeitos
Exalem o mesmo perfume de poesia,
Que tanto alegrou minha vida.
Quando eu me for, meu caro,
Me enterre no alto do Himalaia,
Para que sinta o silencioso frio.
Sofrendo, para me lembrar da vida.
Solitário, para me lembrar da morte.
Quando ela vier, meu velho,
Quem sabe agora ou daqui muito,
Não quero que me cubram com flores,
Nem com lágrimas desperdiçadas,
Palavras em vão, ditas ao acaso,
Não chorem por mim, por favor.
Quando eu morrer, (ai de mim, meu Deus!)
Não me enterre em lugar algum,
Ou no máximo em vala comum.
Quero sentir o sabor de ser rejeitado,
Para deixar um resquício de vida,
Nesse corpo e alma retirantes.
Me enterre junto aos sonhadores,
Ao lado dos grandes poetas,
Para que seus corpos putrefeitos
Exalem o mesmo perfume de poesia,
Que tanto alegrou minha vida.
Quando eu me for, meu caro,
Me enterre no alto do Himalaia,
Para que sinta o silencioso frio.
Sofrendo, para me lembrar da vida.
Solitário, para me lembrar da morte.
Quando ela vier, meu velho,
Quem sabe agora ou daqui muito,
Não quero que me cubram com flores,
Nem com lágrimas desperdiçadas,
Palavras em vão, ditas ao acaso,
Não chorem por mim, por favor.
Quando eu morrer, (ai de mim, meu Deus!)
Não me enterre em lugar algum,
Ou no máximo em vala comum.
Quero sentir o sabor de ser rejeitado,
Para deixar um resquício de vida,
Nesse corpo e alma retirantes.
Auto-crítica
Estou farto da mediocridade dos bons,
Farto da tibieza que lhes consome a alma
E da hipocrisia com que arranjam desculpas.
Esse silêncio aqui é de matar,
Queria ter asas para poder voar,
Para longe da multidão.
Só assim poderia me livrar,
Da chama que consome os corações,
Que um a um, se calam, não mais são.
Ai de nós, e de nossas tristes cantigas,
Que vendo o que acontece lá fora,
Se escondem no conforto da indiferença.
Nesses dias eu queria ser uma andorinha,
Para lá das nuvens mais altas,
Observar os homens, criatura mais deplorável!
Ápice da evolução, início da decadência,
Tinham tudo para governar o mundo,
Mas deixaram o mundo os governar.
Não quero perder as esperanças no homem,
Porém não vejo mais saída.
É, eu queria mesmo ser uma andorinha.
(Talvez seja por mediocridade.)
Farto da tibieza que lhes consome a alma
E da hipocrisia com que arranjam desculpas.
Esse silêncio aqui é de matar,
Queria ter asas para poder voar,
Para longe da multidão.
Só assim poderia me livrar,
Da chama que consome os corações,
Que um a um, se calam, não mais são.
Ai de nós, e de nossas tristes cantigas,
Que vendo o que acontece lá fora,
Se escondem no conforto da indiferença.
Nesses dias eu queria ser uma andorinha,
Para lá das nuvens mais altas,
Observar os homens, criatura mais deplorável!
Ápice da evolução, início da decadência,
Tinham tudo para governar o mundo,
Mas deixaram o mundo os governar.
Não quero perder as esperanças no homem,
Porém não vejo mais saída.
É, eu queria mesmo ser uma andorinha.
(Talvez seja por mediocridade.)
Olhos cansados
Hoje meus olhos acordaram cansados. Cansados da rotina, de acordar todos os dias, de deitar todos os dias. Cansados de ir sempre ao mesmo lugar, ouvir as mesmas pessoas, de fingir que vejo alguma razão nisso tudo. Cansados de ter que provar aos outros, de ter que me provar, prova em prova, vou provando não sei a quem. Hoje meus olhos acordaram cansados, lá fora é chuva, o amor se esvaziou...
Desvario
Num insano desvario,
Vi-me sozinho nessa vida,
Olhei pra ela, e ela distraída,
Fugiu com as águas de um rio.
O rio a levou para um beco,
Beco sem perspectiva, sem saída,
E a inexperiência dessa vida,
Transformou-a num acidente seco.
Acidente árduo de ser suportado,
De ser levado em poesia,
E como razões não mais havia,
Me conformei em ser derrotado.
E eis que lanço-me à sorte,
Agonizado feito Laocoonte,
Bebo gota a gota, direto da fonte,
As amarguras da minha morte.
Vi-me sozinho nessa vida,
Olhei pra ela, e ela distraída,
Fugiu com as águas de um rio.
O rio a levou para um beco,
Beco sem perspectiva, sem saída,
E a inexperiência dessa vida,
Transformou-a num acidente seco.
Acidente árduo de ser suportado,
De ser levado em poesia,
E como razões não mais havia,
Me conformei em ser derrotado.
E eis que lanço-me à sorte,
Agonizado feito Laocoonte,
Bebo gota a gota, direto da fonte,
As amarguras da minha morte.
Auto-retrato
Sou daqueles solitários, poetas por natureza,
Que unem a frieza de um holandês sofrido, com a efervescência emocional de um calabrês.
Ao norte o sermão da montanha, ao sul o que meus pais me deram, a leste o bom senso e a oeste minha vergonha, me limitam, mas não me empobrecem.
De folia em folia, de obrigação em obrigação, vou viajando nesse trem. Estou preso nessa embarcação.
Mas foi por homens que nem eu, sedentos por liberdade, que Deus criou a imaginação. Aquela solitária, reflexão profunda, deleite espiritual.
E é nela que me apoio, me faço o ser humano que sou, me encontro.
Admiro os que nadam contra maré, os velhos que ainda tem paixão por viver, as crianças que em sua pureza me encantam.
Não sou mais um desse manicômio terrestre, não sou mais uma marionete na mão dos inimigos.
Não sinto nenhum orgulho dos jovens revolucionários, dos sindicalistas e dos que lutam por um mundo igual. Para mim, eles são tudo aquilo que eu não queria ser.
Me apaixono fácil, sou uma poesia humana, pousando em corações, o problema é que eu não escolho em qual pousar, mas é assim que tem que ser.
Sou meu melhor amigo, não me entenda mal, isso é porque não me divido com ninguém, me faço companhia em todos os momentos. Me sinto bem, seguro comigo mesmo.
Não tenho lema de vida, não tenho planos muito bem estabelecidos, só espero viver intensamente... e corretamente.
Para que quando eu chegue no meu leito de morte, eu não derrame uma lágrima sequer. Que eu saia dessa vida com a alegria de um jovem apaixonado.
Não pretendo que as gerações futuras se lembrem de mim. Me contento com o amor simples, desprovido de sentimentalidades descabidas, que terei dos meus filhos e netos, se um dos meus poucos planos derem certo.
Não espero que o mundo se curve diante dos meu pés. Só quero ter uma boa mulher, bons filhos, meu violão de um lado e minha poesia do outro.
Bom, por hoje é só. Talvez daqui a alguns anos eu leia isso e me sinta embaraçado, mas por agora é o que sinto. Até uma próxima.
Que unem a frieza de um holandês sofrido, com a efervescência emocional de um calabrês.
Ao norte o sermão da montanha, ao sul o que meus pais me deram, a leste o bom senso e a oeste minha vergonha, me limitam, mas não me empobrecem.
De folia em folia, de obrigação em obrigação, vou viajando nesse trem. Estou preso nessa embarcação.
Mas foi por homens que nem eu, sedentos por liberdade, que Deus criou a imaginação. Aquela solitária, reflexão profunda, deleite espiritual.
E é nela que me apoio, me faço o ser humano que sou, me encontro.
Admiro os que nadam contra maré, os velhos que ainda tem paixão por viver, as crianças que em sua pureza me encantam.
Não sou mais um desse manicômio terrestre, não sou mais uma marionete na mão dos inimigos.
Não sinto nenhum orgulho dos jovens revolucionários, dos sindicalistas e dos que lutam por um mundo igual. Para mim, eles são tudo aquilo que eu não queria ser.
Me apaixono fácil, sou uma poesia humana, pousando em corações, o problema é que eu não escolho em qual pousar, mas é assim que tem que ser.
Sou meu melhor amigo, não me entenda mal, isso é porque não me divido com ninguém, me faço companhia em todos os momentos. Me sinto bem, seguro comigo mesmo.
Não tenho lema de vida, não tenho planos muito bem estabelecidos, só espero viver intensamente... e corretamente.
Para que quando eu chegue no meu leito de morte, eu não derrame uma lágrima sequer. Que eu saia dessa vida com a alegria de um jovem apaixonado.
Não pretendo que as gerações futuras se lembrem de mim. Me contento com o amor simples, desprovido de sentimentalidades descabidas, que terei dos meus filhos e netos, se um dos meus poucos planos derem certo.
Não espero que o mundo se curve diante dos meu pés. Só quero ter uma boa mulher, bons filhos, meu violão de um lado e minha poesia do outro.
Bom, por hoje é só. Talvez daqui a alguns anos eu leia isso e me sinta embaraçado, mas por agora é o que sinto. Até uma próxima.
Bebida amarga
Já antes bebi dessa bebida,
Que nos embriaga sem consentimento,
Amarga como a morte e suave como o vento,
Sem nexo, sem razão, sem saída.
Nos faz cantar todo dia ao amanhecer,
Levantar-se, olhar pra vida e sorrir,
Mas ao mesmo tempo nos faz adoecer,
Lágrimas, tristeza, e enfim, desistir.
Toda vez que ela deixa seu sabor,
Se espera a felicidade eterna,
Mas se vê que apesar de terna,
Ela é só um débil ardor.
Que lê tudo isso pensa que perdi a esperança.
Não. Não faço parte dos que desistem.
Mas minha procura agora é mansa,
Estou mais para aqueles que assistem.
Que nos embriaga sem consentimento,
Amarga como a morte e suave como o vento,
Sem nexo, sem razão, sem saída.
Nos faz cantar todo dia ao amanhecer,
Levantar-se, olhar pra vida e sorrir,
Mas ao mesmo tempo nos faz adoecer,
Lágrimas, tristeza, e enfim, desistir.
Toda vez que ela deixa seu sabor,
Se espera a felicidade eterna,
Mas se vê que apesar de terna,
Ela é só um débil ardor.
Que lê tudo isso pensa que perdi a esperança.
Não. Não faço parte dos que desistem.
Mas minha procura agora é mansa,
Estou mais para aqueles que assistem.
O sorriso do poeta (Homenagem à Chico Buarque)
O sorriso do poeta,
Que ao cantar suas melodias,
Se inflama de todas alegrias,
Sente que sua vida está completa.
Não se agüenta, se transborda,
No olhar de emoção,
Que num simples tremor de corda,
Mergulha numa profunda paixão.
E com a delicadeza do seu violão,
Canta o verso emocionado,
Chora o coração apaixonado,
Que foi exposto naquela canção.
Que ao cantar suas melodias,
Se inflama de todas alegrias,
Sente que sua vida está completa.
Não se agüenta, se transborda,
No olhar de emoção,
Que num simples tremor de corda,
Mergulha numa profunda paixão.
E com a delicadeza do seu violão,
Canta o verso emocionado,
Chora o coração apaixonado,
Que foi exposto naquela canção.
Desabafo sentimental
Ah! Não fui eu que me fiz assim,
Sou obra do acaso, do Destino,
Um louco em busca do divino,
Me olho e me perco em mim.
Os percalços da vida aqui me soltam,
Olho em volta e o silêncio escuto,
Contemplo, admiro, e num surto,
Me escondo dos males que brotam.
As flores murcham, os dias entardecem,
Se os males aqui não brotassem,
Talvez as flores nem murchassem,
E os filhos nem chorassem,
Pelos pais que do nada padecem.
E eu então pergunto pro mundo:
Por quê tem que ser tudo assim?
Tão efêmero, tão imundo.
Mas ele não ousa falar até o fim.
Porque se ele falasse,
Amanhã quando eu sentasse na praça,
Acharia tudo tão sem graça,
Que acabaria por pedir que ele me tirasse,
Esse dom de agüentar toda desgraça.
Por isso me contento com a ignorância,
Nesse faz de conta que nos envolve,
Óbvio, imaginário, mas sem arrogância,
Que aos poucos me dissolve.
O vento que entra pela janela,
Traz as mágoas da humanidade sofrida,
As lágrimas de uma sociedade sem vida,
O frio de um coração que não é dela.
Esse cheiro da minha pátria desordenada,
Estou alérgico a mentiras descabidas,
Cansado de escutar a chamada,
Para mais uma dessas vindas e idas.
No centro desses sentimentos estou.
Eu, só eu, solitário e pensante.
Olho tudo aquilo que passa e que passou,
E vejo que tudo está muito distante.
Distante de ser mudado,
Mesmo de ser compreendido,
E enquanto não acham o remédio com que será curado,
Permaneço imóvel, calado, me dei por vencido.
Sou obra do acaso, do Destino,
Um louco em busca do divino,
Me olho e me perco em mim.
Os percalços da vida aqui me soltam,
Olho em volta e o silêncio escuto,
Contemplo, admiro, e num surto,
Me escondo dos males que brotam.
As flores murcham, os dias entardecem,
Se os males aqui não brotassem,
Talvez as flores nem murchassem,
E os filhos nem chorassem,
Pelos pais que do nada padecem.
E eu então pergunto pro mundo:
Por quê tem que ser tudo assim?
Tão efêmero, tão imundo.
Mas ele não ousa falar até o fim.
Porque se ele falasse,
Amanhã quando eu sentasse na praça,
Acharia tudo tão sem graça,
Que acabaria por pedir que ele me tirasse,
Esse dom de agüentar toda desgraça.
Por isso me contento com a ignorância,
Nesse faz de conta que nos envolve,
Óbvio, imaginário, mas sem arrogância,
Que aos poucos me dissolve.
O vento que entra pela janela,
Traz as mágoas da humanidade sofrida,
As lágrimas de uma sociedade sem vida,
O frio de um coração que não é dela.
Esse cheiro da minha pátria desordenada,
Estou alérgico a mentiras descabidas,
Cansado de escutar a chamada,
Para mais uma dessas vindas e idas.
No centro desses sentimentos estou.
Eu, só eu, solitário e pensante.
Olho tudo aquilo que passa e que passou,
E vejo que tudo está muito distante.
Distante de ser mudado,
Mesmo de ser compreendido,
E enquanto não acham o remédio com que será curado,
Permaneço imóvel, calado, me dei por vencido.
Especulações
Imagino se sob a luz de algum luar,
Meus versos serão recitados,
Pelos errantes ou enamorados,
Se farão sorrir ou farão chorar.
Se eles pousarão em algum coração maltratado,
Enxugarão as lágrimas derramadas,
Alegrarão as almas esfarrapadas,
Se farão o peregrino se sentir aliviado.
Talvez algum dia minha poesia
Se torne o hino de uma nação inteira,
Os esquecidos lembrem dela na hora derradeira,
E os faça partir com mais alegria.
Quem sabe o sonhador encontre forças nela,
O suicida uma razão pra viver,
A órfã um motivo pra crer,
Que um dia a vida vai sorrir pra ela.
Mas tudo isso é só especulação.
Ela talvez seja pra sempre esquecida,
E fique só em minha vida,
Confortando de vez em quando meu coração.
Meus versos serão recitados,
Pelos errantes ou enamorados,
Se farão sorrir ou farão chorar.
Se eles pousarão em algum coração maltratado,
Enxugarão as lágrimas derramadas,
Alegrarão as almas esfarrapadas,
Se farão o peregrino se sentir aliviado.
Talvez algum dia minha poesia
Se torne o hino de uma nação inteira,
Os esquecidos lembrem dela na hora derradeira,
E os faça partir com mais alegria.
Quem sabe o sonhador encontre forças nela,
O suicida uma razão pra viver,
A órfã um motivo pra crer,
Que um dia a vida vai sorrir pra ela.
Mas tudo isso é só especulação.
Ela talvez seja pra sempre esquecida,
E fique só em minha vida,
Confortando de vez em quando meu coração.
Hipocrisia
E eu aqui nesta mordomia,
Cercado de fantasia,
Sedento por mais-valia,
Viciado em melancolia,
Procuro pedras no sapato.
Cercado de fantasia,
Sedento por mais-valia,
Viciado em melancolia,
Procuro pedras no sapato.
O menino que abandonou sua vida
O sangue escorreu pela avenida,
Vermelho, como que ainda vivo,
O menino que abandonou sua vida.
Imagino como foi o último abraço,
Que deu em sua mãe,
A última vez que ela o teve em seus braços.
Imagino o desespero de seu pai,
Ao receber o telefonema, o mais triste de sua vida.
Senta, não acredita, a garganta trava, a lágrima sai.
Foi falta de coragem de sorrir pras dificuldades?
Deus nos deu alma forte o suficiente,
Para agüentar os trancos da solidão e da saudade.
Mas mesmo assim o Sol se levantou sorridente,
Como se não sentisse a perda do cidadão,
Porém a alma do mundo jaz, penitente,
E os poetas choram sobre o caminho trilhado em vão.
Vermelho, como que ainda vivo,
O menino que abandonou sua vida.
Imagino como foi o último abraço,
Que deu em sua mãe,
A última vez que ela o teve em seus braços.
Imagino o desespero de seu pai,
Ao receber o telefonema, o mais triste de sua vida.
Senta, não acredita, a garganta trava, a lágrima sai.
Foi falta de coragem de sorrir pras dificuldades?
Deus nos deu alma forte o suficiente,
Para agüentar os trancos da solidão e da saudade.
Mas mesmo assim o Sol se levantou sorridente,
Como se não sentisse a perda do cidadão,
Porém a alma do mundo jaz, penitente,
E os poetas choram sobre o caminho trilhado em vão.
Pra que?
Pra que viver de minutos,
Se temos a vida inteira?
Pra que pensar no amanhã,
Se temos toda a eternidade?
O problema é que a eternidade
É feita de amanhãs,
E nossas vidas,
De míseros minutos.
Se temos a vida inteira?
Pra que pensar no amanhã,
Se temos toda a eternidade?
O problema é que a eternidade
É feita de amanhãs,
E nossas vidas,
De míseros minutos.
Alegoria do barco
Vinha a muito tempo preparando seu filho um pai muito amoroso, quem sabe o mais amoroso de todos, para uma viagem. Chegaria a hora em que ele teria que deixar seu filho tão querido num barco, para que ele pudesse navegar sozinho no meio dos oceanos, enfrentar as tempestades mais violentas e os ventos mais poderosos. O pai, como tinha consciência das dificuldades que seu filho viria a enfrentar, tratou de ensinar-lhe com calma, explicar-lhe cada detalhe do barco e prepará-lo para possíveis perigos. Alem disso, deixou a disposição do filho um manual de instruções do barco e milhares de pessoas que fariam o que fosse necessário para ajudar-lhe.
O momento tão esperado chegou e eles, cobertos de lágrimas amargas, despediram-se, prometeram que manteriam contato durante a viagem e que se veriam algum dia.
O pai viu seu filho abrir a porta que o levaria para os oceanos, com seu barco indefeso, frágil. No fundo ele tinha esperanças que seu filho se lembraria dele sempre e que algum dia eles se reencontrariam num lugar melhor. Mas para que isso ocorresse, o filho teria que passar por essa viagem, era inelutável.
Essa viagem consistia em sair de sua casa, onde o filho se sentia seguro, confortável, enfrentar os oceanos e por fim chegar a uma terra paradisíaca, onde o pai estaria lhe esperando. Para entrar nessa terra seria necessário somente destruir o barco, coisa que no início parecia tão fácil, e aos poucos foi ficando tão difícil...
Bom, voltemos ao filho e seu barco. O início, como qualquer início de viagem longa, foi difícil, pois havia muitas coisas a se aprender. Ele teria desistido não fosse o manual de instruções e as pessoas que o seu pai deixara para ele, que lhe ajudaram diante as tempestades. Mas todas as dificuldades eram recompensadas pela sensação de olhar e apreciar a paisagem, contemplar o horizonte infinito e sentir a brisa refrescante que lhe proporcionava momentos de puro prazer. Todo dia o filho assistia o pôr-do-sol e sentia uma vontade imensa de seguir viagem e de aproveitá-la. O pai era uma figura constante em seu pensamento, ele sentia sua falta.
Mas essa situação aos poucos foi mudando. O filho começou a perceber uma certa monotonia desgastante, não que a viagem tivesse mudado, mas a maneira de ver as coisas do filho tinha. Ele passou a deixar de lado a limpeza do interior do barco. Mas não o que ficava a vista às outras embarcações. Essa parte do barco ele fazia questão de deixar perfeita, limpa e ornada com peças caras. O barco se tornou um sepulcro caiado. E o problema maior era que quanto mais as pessoas elogiavam a imponência do barco, menos importava a situação do interior. Ele estava vivendo na podridão, mas se satisfazia com a idéia que os outros faziam de seu barco.
Depois de alguns dias ele já não se contentava em ouvir elogios, ele precisava ver os outros barcos arruinados, ou pelo menos em pior estado do que o seu. Passou então a atacar outros barcos. Deixava as outras embarcações totalmente destruídas, e com isso se sentia bem, se sentia superior. Isso levou a sua má reputação, e mais nenhum capitão queria passar perto de seu barco, muito menos navegar o resto da viagem ao seu lado.
É, caro leitor, ele estava sozinho. Os ventos e tempestades que no início foram superadas pedindo ajuda, com humildade, já não eram obstáculos tão simples, requeriam muito esforço dele, já que ele se tornara orgulhoso demais para pedir socorro. O pai, acho que nem é necessário dizer, era alguém distante, lhe dava preguiça pensar no pai, não queria mais saber dele. E assim se passaram dias e mais dias.
O filho então, solitário, se recolheu no interior de seu barco. Foi então que se deu conta da sujeira que tomava conta do lugar, do mal cheiro, cheiro de cadáver. Mas ele dava desculpas para si mesmo para não limpar: ele estava a muito tempo viajando, já passara o tempo de limpar o interior, e essas coisas falsas, tentativas de se enganar. Muito ridículo. Mas assim é o ser humano que se prende ao seu barco.
Numa noite fria seu pai lhe apareceu num sonho, e com calma, com compaixão, lhe disse:
“Filho, vejo que você se perdeu. Isso não estava nos nossos planos. A sua viagem está acabando e você não a aproveitou. Me dói o coração ver-te deitado na escuridão, na sujeira, enquanto você deveria estar aproveitando esses últimos dias da viagem, sentindo a brisa que lhe dava forças no começo, e ver que tudo valeu a pena. Para ser sincero, estou chorando. Viagem jogada no lixo, de que adiantou te preparar? Te deixar tantas pessoas boas? Não sei. Mas eu te entendo filho, o oceano apesar de lindo, tem sua maldade. E você caiu na armadilha.”
“Pai, você me abandonou!”
“Não, filho. Você me abandonou. Você me deixou de lado, preocupado em parecer aos outros. Mas como já te disse, eu te entendo. Você não é o primeiro, muitos de seus irmãos se perderam também. Faça o seguinte: você chegará em terra em poucos dias. Abandone seu barco e venha sem nada até o alto da montanha que verás. Lá estarei eu, te esperando. Espero te ver em breve. Não se esqueça que eu te amo.”
O filho acordou, mas disse que era somente um sonho, nada que merecesse atenção. Mais uma das desculpas para si mesmo.
Em três dias ele bateu contra uma rocha. Olhou pra cima e viu uma montanha enorme, uma luz no topo. Viu que dava para descer do barco e ir caminhando, mas então aconteceu.
Olhou para seu barco, para todos os enfeites, lembrou-se de todos os elogios que lhe foram direcionados e sentiu-se forte o suficiente para seguir sozinho, e ir para onde quisesse. Não precisava do pai. Manobrou seu barco, e saiu. Para onde? Vagar sozinho pelas trevas, até o fim dos tempos.
Você pode pensar, leitor, que tolo esse filho que deixou seu pai e preferiu a perdição. Mas o problema é que muitos de nós somos assim, que nem o filho.
O momento tão esperado chegou e eles, cobertos de lágrimas amargas, despediram-se, prometeram que manteriam contato durante a viagem e que se veriam algum dia.
O pai viu seu filho abrir a porta que o levaria para os oceanos, com seu barco indefeso, frágil. No fundo ele tinha esperanças que seu filho se lembraria dele sempre e que algum dia eles se reencontrariam num lugar melhor. Mas para que isso ocorresse, o filho teria que passar por essa viagem, era inelutável.
Essa viagem consistia em sair de sua casa, onde o filho se sentia seguro, confortável, enfrentar os oceanos e por fim chegar a uma terra paradisíaca, onde o pai estaria lhe esperando. Para entrar nessa terra seria necessário somente destruir o barco, coisa que no início parecia tão fácil, e aos poucos foi ficando tão difícil...
Bom, voltemos ao filho e seu barco. O início, como qualquer início de viagem longa, foi difícil, pois havia muitas coisas a se aprender. Ele teria desistido não fosse o manual de instruções e as pessoas que o seu pai deixara para ele, que lhe ajudaram diante as tempestades. Mas todas as dificuldades eram recompensadas pela sensação de olhar e apreciar a paisagem, contemplar o horizonte infinito e sentir a brisa refrescante que lhe proporcionava momentos de puro prazer. Todo dia o filho assistia o pôr-do-sol e sentia uma vontade imensa de seguir viagem e de aproveitá-la. O pai era uma figura constante em seu pensamento, ele sentia sua falta.
Mas essa situação aos poucos foi mudando. O filho começou a perceber uma certa monotonia desgastante, não que a viagem tivesse mudado, mas a maneira de ver as coisas do filho tinha. Ele passou a deixar de lado a limpeza do interior do barco. Mas não o que ficava a vista às outras embarcações. Essa parte do barco ele fazia questão de deixar perfeita, limpa e ornada com peças caras. O barco se tornou um sepulcro caiado. E o problema maior era que quanto mais as pessoas elogiavam a imponência do barco, menos importava a situação do interior. Ele estava vivendo na podridão, mas se satisfazia com a idéia que os outros faziam de seu barco.
Depois de alguns dias ele já não se contentava em ouvir elogios, ele precisava ver os outros barcos arruinados, ou pelo menos em pior estado do que o seu. Passou então a atacar outros barcos. Deixava as outras embarcações totalmente destruídas, e com isso se sentia bem, se sentia superior. Isso levou a sua má reputação, e mais nenhum capitão queria passar perto de seu barco, muito menos navegar o resto da viagem ao seu lado.
É, caro leitor, ele estava sozinho. Os ventos e tempestades que no início foram superadas pedindo ajuda, com humildade, já não eram obstáculos tão simples, requeriam muito esforço dele, já que ele se tornara orgulhoso demais para pedir socorro. O pai, acho que nem é necessário dizer, era alguém distante, lhe dava preguiça pensar no pai, não queria mais saber dele. E assim se passaram dias e mais dias.
O filho então, solitário, se recolheu no interior de seu barco. Foi então que se deu conta da sujeira que tomava conta do lugar, do mal cheiro, cheiro de cadáver. Mas ele dava desculpas para si mesmo para não limpar: ele estava a muito tempo viajando, já passara o tempo de limpar o interior, e essas coisas falsas, tentativas de se enganar. Muito ridículo. Mas assim é o ser humano que se prende ao seu barco.
Numa noite fria seu pai lhe apareceu num sonho, e com calma, com compaixão, lhe disse:
“Filho, vejo que você se perdeu. Isso não estava nos nossos planos. A sua viagem está acabando e você não a aproveitou. Me dói o coração ver-te deitado na escuridão, na sujeira, enquanto você deveria estar aproveitando esses últimos dias da viagem, sentindo a brisa que lhe dava forças no começo, e ver que tudo valeu a pena. Para ser sincero, estou chorando. Viagem jogada no lixo, de que adiantou te preparar? Te deixar tantas pessoas boas? Não sei. Mas eu te entendo filho, o oceano apesar de lindo, tem sua maldade. E você caiu na armadilha.”
“Pai, você me abandonou!”
“Não, filho. Você me abandonou. Você me deixou de lado, preocupado em parecer aos outros. Mas como já te disse, eu te entendo. Você não é o primeiro, muitos de seus irmãos se perderam também. Faça o seguinte: você chegará em terra em poucos dias. Abandone seu barco e venha sem nada até o alto da montanha que verás. Lá estarei eu, te esperando. Espero te ver em breve. Não se esqueça que eu te amo.”
O filho acordou, mas disse que era somente um sonho, nada que merecesse atenção. Mais uma das desculpas para si mesmo.
Em três dias ele bateu contra uma rocha. Olhou pra cima e viu uma montanha enorme, uma luz no topo. Viu que dava para descer do barco e ir caminhando, mas então aconteceu.
Olhou para seu barco, para todos os enfeites, lembrou-se de todos os elogios que lhe foram direcionados e sentiu-se forte o suficiente para seguir sozinho, e ir para onde quisesse. Não precisava do pai. Manobrou seu barco, e saiu. Para onde? Vagar sozinho pelas trevas, até o fim dos tempos.
Você pode pensar, leitor, que tolo esse filho que deixou seu pai e preferiu a perdição. Mas o problema é que muitos de nós somos assim, que nem o filho.
Minha poesia
Se engana aquele que pensa,
Que sinto tudo aquilo que escrevo,
Que preciso de uma dor imensa,
Para em versos colocar meu medo.
Minha aflição é muitas vezes sentida,
Mas muitas vezes pensada,
Sentida só pela mulher da vida,
Ou pelo homem que não tem sua amada.
O poeta é um contemplador de corações,
O mais assíduo leitor das almas,
Traz para si todas as emoções,
Sem pensar em futuras palmas.
E então continua minha poesia,
Humilde, sincera e sorrateira,
Transcrevendo tristezas e alegrias,
Amando a humanidade inteira.
Que sinto tudo aquilo que escrevo,
Que preciso de uma dor imensa,
Para em versos colocar meu medo.
Minha aflição é muitas vezes sentida,
Mas muitas vezes pensada,
Sentida só pela mulher da vida,
Ou pelo homem que não tem sua amada.
O poeta é um contemplador de corações,
O mais assíduo leitor das almas,
Traz para si todas as emoções,
Sem pensar em futuras palmas.
E então continua minha poesia,
Humilde, sincera e sorrateira,
Transcrevendo tristezas e alegrias,
Amando a humanidade inteira.
Era uma vez
Era uma vez.
Foi uma vez.
Vezes que ficam,
Vezes que vão,
Vezes que foram,
Vezes que virão.
Com uma rapidez inexplicável,
Se vai aquilo que se conquistou,
Se perde aquilo que era estável.
Vez que veio e depois voou.
Foi uma vez.
Vezes que ficam,
Vezes que vão,
Vezes que foram,
Vezes que virão.
Com uma rapidez inexplicável,
Se vai aquilo que se conquistou,
Se perde aquilo que era estável.
Vez que veio e depois voou.
Quando eu te encontrar
Quando eu te encontrar em alguma esquina,
Dessa vida bem vivida,
Espero te ver vestida,
Com sua roupa mais fina.
Que seu perfume me ilumine,
Que me de forças pra seguir viagem,
Para que fique feito tatuagem,
Para que minha alma não desanime!
Me preparo para esse momento,
E caminho nessa epopéia,
Tentando fazer uma idéia,
De como será meu sentimento.
De te ver revestida de luz,
A luz a que tanto esperei,
Mas talvez não resistirei,
Em lançar-me à paixão que seduz.
Dessa vida bem vivida,
Espero te ver vestida,
Com sua roupa mais fina.
Que seu perfume me ilumine,
Que me de forças pra seguir viagem,
Para que fique feito tatuagem,
Para que minha alma não desanime!
Me preparo para esse momento,
E caminho nessa epopéia,
Tentando fazer uma idéia,
De como será meu sentimento.
De te ver revestida de luz,
A luz a que tanto esperei,
Mas talvez não resistirei,
Em lançar-me à paixão que seduz.
Soneto de um errante
Meu coração rebelde, sem diretriz,
Procura só sua satisfação,
Mas sabe que tudo é em vão,
E tem preguiça de ser feliz.
Meu coração solitário, amante,
Reconhece qual é a verdade
Mas se perde na vontade,
De continuar sendo um errante.
Não que eu não ligue mais pra mim,
Só desisti de permanecer atento,
De me programar para o meu fim.
E enfim, com desleixo, com calma,
Deixo destrancado, solto ao vento,
Os portões da minha alma.
Procura só sua satisfação,
Mas sabe que tudo é em vão,
E tem preguiça de ser feliz.
Meu coração solitário, amante,
Reconhece qual é a verdade
Mas se perde na vontade,
De continuar sendo um errante.
Não que eu não ligue mais pra mim,
Só desisti de permanecer atento,
De me programar para o meu fim.
E enfim, com desleixo, com calma,
Deixo destrancado, solto ao vento,
Os portões da minha alma.
Soneto de um sonhador
Na quietude da madrugada,
Palco dos amantes desvairados,
Dos amores mais alucinados,
Me vejo numa imensidão do Nada.
Me perco em almas alheias,
Em olhares que me foram lançados,
Em sonhos a serem realizados,
A juventude me corre nas veias.
Temo perder a minha hora,
Sonhar tanto e esquecer da vida,
Viver somente de poesia,
Me iludir e perder a saída.
Mas talvez eu até gostaria,
De nunca mais ver o agora.
Palco dos amantes desvairados,
Dos amores mais alucinados,
Me vejo numa imensidão do Nada.
Me perco em almas alheias,
Em olhares que me foram lançados,
Em sonhos a serem realizados,
A juventude me corre nas veias.
Temo perder a minha hora,
Sonhar tanto e esquecer da vida,
Viver somente de poesia,
Me iludir e perder a saída.
Mas talvez eu até gostaria,
De nunca mais ver o agora.
Desespero da humanidade
Mutilados em romaria,
Desgraçados em oração,
O velho e seu dia a dia,
A mãe e seu ganha pão.
Poetas sem inspiração,
Mendigos nas avenidas,
O pastor e seu sermão,
O amante e suas vidas.
O jovem perdido,
A namorada chorando,
O pai desiludido,
E o doente delirando.
O vendedor de rua,
O rico arrogante,
A mulher toda nua,
E um sinal alarmante.
A beira do precipício,
Os olhos vendados,
O fim do início,
E os homens calados.
Promessas a cumprir,
A festa acabada,
O Inominável a sorrir,
E a morte da amada.
Presos ao pecado,
Se espalha a solidão,
E sem ninguém ao lado,
Começa a escuridão.
Desgraçados em oração,
O velho e seu dia a dia,
A mãe e seu ganha pão.
Poetas sem inspiração,
Mendigos nas avenidas,
O pastor e seu sermão,
O amante e suas vidas.
O jovem perdido,
A namorada chorando,
O pai desiludido,
E o doente delirando.
O vendedor de rua,
O rico arrogante,
A mulher toda nua,
E um sinal alarmante.
A beira do precipício,
Os olhos vendados,
O fim do início,
E os homens calados.
Promessas a cumprir,
A festa acabada,
O Inominável a sorrir,
E a morte da amada.
Presos ao pecado,
Se espalha a solidão,
E sem ninguém ao lado,
Começa a escuridão.
O menino que queria ser poeta
O menino queria ser poeta,
Mas por conselho de seu pai,
Não seguiu seu coração,
“Vai ser engenheiro, vai!”
E cabisbaixo foi o tal João.
Não lhe faltava coragem,
Mas lhe faltava vocação,
Imagine você, caro leitor,
Um pernambucano de Viração,
Estudando sobre vetor.
No fim do semestre,
Para João o reitor falou,
Que aquele não era seu lugar,
E da faculdade o expulsou.
Triste, João foi pro bar.
Tomou todas e mais algumas,
Mas isso não lhe contentou.
Então saiu pela cidade,
E achou o que procurou,
Uma prostituta de meia idade.
O nome de cartório era Raimunda,
Mas o de profissão era Sofia.
E com sua nova companheira,
Conhecida pela freguesia,
Passou a noite inteira.
No dia seguinte quando acordou,
Desacreditou no que via:
Na mão esquerda, no anelar,
Uma aliança havia,
E ele sem nada lembrar.
O casamento ocorrera à noite,
Enquanto João estava embriagado.
E ele, pensando que estava se ferrando,
Ficou muito mais que irado,
Mas acabou se apaixonando.
Alguns meses se passaram,
E Raimunda começou a reclamar,
Que o vagabundo de seu marido
Precisava ir trabalhar,
Antes que ele ficasse falido.
Motorista João foi ser,
E pelas ruas de Salvador,
Dirigia o seu busão,
Carregando em seu peito sua dor,
E em sua mente uma indagação.
Seria a Raimunda a certa?
Ela tratou de lhe responder:
Encontrou outro na cama com Raimunda,
E João sem poder crer
Levou um baita pé-na-bunda
Triste, melancólico e sozinho,
João não conseguia se amparar,
Mas o pior estava por vir,
No dia seguinte, quando foi trabalhar,
O chefe acabara de o demitir.
E ainda nesta noite,
De Pernambuco uma carta chegou,
Avisando ao “querido João”
Que uma charrete atropelou
Sua mãezinha lá em Viração.
Ah! Seu coração não agüentou,
João pensou em se matar,
Mas lembrou-se da poesia,
Que outrora o fizera deleitar
E achou-se com sorte porque ainda vivia.
Nessa época de sua vida,
João e a poesia desandavam,
Cada qual no seu canto,
E em prantos esperavam,
O que ambos queriam tanto.
E o que esperavam ocorreu
Numa tarde de desencanto e solidão,
Quando João o seu lápis pegou,
E versos saíram de seu coração,
Com uma sinceridade que o assustou.
E foi então que João percebeu,
Que vivera uma grande ilusão,
Que seu destino era estar sozinho,
E em meio a essa solidão
Seguir o seu próprio caminho.
Mas por conselho de seu pai,
Não seguiu seu coração,
“Vai ser engenheiro, vai!”
E cabisbaixo foi o tal João.
Não lhe faltava coragem,
Mas lhe faltava vocação,
Imagine você, caro leitor,
Um pernambucano de Viração,
Estudando sobre vetor.
No fim do semestre,
Para João o reitor falou,
Que aquele não era seu lugar,
E da faculdade o expulsou.
Triste, João foi pro bar.
Tomou todas e mais algumas,
Mas isso não lhe contentou.
Então saiu pela cidade,
E achou o que procurou,
Uma prostituta de meia idade.
O nome de cartório era Raimunda,
Mas o de profissão era Sofia.
E com sua nova companheira,
Conhecida pela freguesia,
Passou a noite inteira.
No dia seguinte quando acordou,
Desacreditou no que via:
Na mão esquerda, no anelar,
Uma aliança havia,
E ele sem nada lembrar.
O casamento ocorrera à noite,
Enquanto João estava embriagado.
E ele, pensando que estava se ferrando,
Ficou muito mais que irado,
Mas acabou se apaixonando.
Alguns meses se passaram,
E Raimunda começou a reclamar,
Que o vagabundo de seu marido
Precisava ir trabalhar,
Antes que ele ficasse falido.
Motorista João foi ser,
E pelas ruas de Salvador,
Dirigia o seu busão,
Carregando em seu peito sua dor,
E em sua mente uma indagação.
Seria a Raimunda a certa?
Ela tratou de lhe responder:
Encontrou outro na cama com Raimunda,
E João sem poder crer
Levou um baita pé-na-bunda
Triste, melancólico e sozinho,
João não conseguia se amparar,
Mas o pior estava por vir,
No dia seguinte, quando foi trabalhar,
O chefe acabara de o demitir.
E ainda nesta noite,
De Pernambuco uma carta chegou,
Avisando ao “querido João”
Que uma charrete atropelou
Sua mãezinha lá em Viração.
Ah! Seu coração não agüentou,
João pensou em se matar,
Mas lembrou-se da poesia,
Que outrora o fizera deleitar
E achou-se com sorte porque ainda vivia.
Nessa época de sua vida,
João e a poesia desandavam,
Cada qual no seu canto,
E em prantos esperavam,
O que ambos queriam tanto.
E o que esperavam ocorreu
Numa tarde de desencanto e solidão,
Quando João o seu lápis pegou,
E versos saíram de seu coração,
Com uma sinceridade que o assustou.
E foi então que João percebeu,
Que vivera uma grande ilusão,
Que seu destino era estar sozinho,
E em meio a essa solidão
Seguir o seu próprio caminho.
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